quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O custo da internet no Brasil


O custo da internet no Brasil
O custo da internet no Brasil, embora venha caindo, ainda é alto e representa o último entrave para a inclusão digital nas camadas mais baixas. A opinião é de especialistas dos setores de telefonia e banda larga que fizeram parte da mesa de debates na maior feira e congresso de TV por assinatura da América Latina, ABTA 2010, realizada de terça até esta quinta-feira no Transamérica Expocenter, em São Paulo.
Segundo o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, mesmo se não houvesse impostos, o pacote básico de internet de banda larga no País cairia de R$ 29 para R$ 16, o que ainda representa o dobro do valor praticado na Europa. Mesmo considerando que a questão do custo - tanto operacional quanto de manutenção e alcance da internet -, o preço final ainda é o principal entrave para a inclusão digital, disse o presidente. Segundo Santanna, as empresas precisam encontrar políticas para reduzir o valor do serviço.
De acordo com o diretor-executivo de clientes residenciais da Telefônica, Fábio Bruggioni, a banda larga tem 33% de penetração nos domicílios brasileiros. Embora não considere o índice alto, acredita que é um avanço para um País de grande extensão, cuja entrada no mundo virtual é relativamente recente. Também presente à mesa de debates, o responsável pelo Plano de Banda Larga Americano da Federal Communications Commission (FCC), Carlos Kirjner, disse que 70% da população dos EUA tem o serviço, sendo que 95% dos americanos têm, pelo menos, um provedor de internet ao qual eles podem se conectar.
"Temos que lembrar que 20% dos brasileiros vivem com menos de um salário mínimo por mês, então, se quisermos ter inclusão digital, é fundamental que governo e iniciativa privada invistam nas classes C e D", disse o palestrante. Ele atribui o êxito do modelo americano de banda larga, que teve investimento de R$ 15,3 bilhões, à herança do modelo de telefonia, que deu certo nos EUA, e ao foco em adoção de todas as classes sociais, disponibilidade de rede e competição entre as empresas.
            Bruggioni, por sua vez, lembrou que o custo da internet no País vem caindo gradativamente. "Há alguns anos, 1 MB custava R$ 200, hoje, esse mesmo pacote custa R$ 50", afirmou. Segundo ele, nos últimos seis meses, 75% da banda larga no Brasil foi comprada pelas classes C e D. Ele considera como causas o aumento da cobertura, a capacidade das operadoras de conhecer o perfil dos compradores e atender suas necessidades específicas, os incentivos fiscais, as parcerias público privadas (PPPs) e, principalmente, à redução de preço.
Segundo o presidente da Telebrás, a ideia é reduzir o pacote de 256 KB, que hoje custa em média R$ 96, para um terço deste valor e o dobro desta velocidade em todas as cidades brasileiras. Até o final do ano, a previsão é que todos os domicílios de 100 municípios e 15 capitais, além do Distrito Federal, sejam alcançados. Para o presidente, é indispensável o papel da concorrência na expansão: "Onde tem concorrência tem competitividade de preço e, portanto, tem adesão", afirmou.
 
 

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