quarta-feira, 23 de outubro de 2013

 
A internet no Brasil é lenta?
 
A internet oferece novos serviços atraentes. A locadora Netflix, que pretende chegar ao país até o fim do ano, deve permitir que você assista a um filme com alta resolução transmitido ao vivo pela internet para sua TV. O jogo World of warcraft convida o usuário a brincar com outros on-line em um universo fantástico de batalhas, com grandes detalhes gráficos e uma trama envolvente (leia mais em Mente Aberta). A nova rede Google+ permite transmitir vídeo direto do telefone para seus amigos. Outras empresas oferecem sistemas de videoconferência envolvendo vários interlocutores simultâneos, que funcionariam em trânsito, em seu celular ou no tablet. O problema é que tudo isso não exige apenas aparelhos modernos, como smartphones e tablets avançados. Esses novos serviços dependem de uma conexão de qualidade. E é aí que boa parte dos brasileiros fica a pé.
A infraestrutura de conexão à internet de alta velocidade no Brasil não condiz com um país moderno. A rede brasileira fica devendo até para países da América Latina. No Chile, onde a média da velocidade de banda larga é mais que o triplo da brasileira, paga-se um quinto do preço. O atraso da internet brasileira tem várias causas. Apenas uma natural: a extensão territorial do país. As outras são derivadas de decisões humanas: opções políticas equivocadas, uma carga tributária abusiva e baixa competição entre os poucos fornecedores de serviços. Essa condição precária poderá mudar nos próximos anos se os planos do governo derem certo. Do contrário, perderemos mais uma chance de aumentar nossa competitividade. E de usufruir os prazeres da internet.
A internet brasileira padece de dois males distintos. O primeiro deles é sua escala ainda tímida. Os brasileiros são tidos como campeões de redes sociais. Uma pesquisa realizada pelo instituto Ibope Nielsen mostra que nós somos o povo que mais passa horas na frente do computador, conectados à internet. A média do brasileiro é de 45 horas mensais. Logo depois estão Inglaterra e Estados Unidos, com uma média de 43 e 40 horas de conexão por mês, respectivamente. Somos também o país que mais usa redes sociais – 90% de nossos internautas estão no Orkut, Facebook, Twitter, MSN ou outro site do tipo. Esse sucesso, porém, é ilusório. Reflete o uso intenso de uma minoria com acesso à internet. Apenas 20% da população brasileira tem serviços de banda larga. São 14 milhões de conexões fixas e 28 milhões por aparelhos móveis, segundo dados do Comitê Gestor de Internet, órgão que reúne representantes do governo, das operadoras e da sociedade civil.
O segundo problema é a qualidade. A banda larga fixa, que permite conexões mais rápidas do que a rede móvel (ou 3G), tem velocidade média prometida de 1,7 megabit por segundo. Isso seria o suficiente para baixar em duas horas e meia um filme com qualidade para ver na tela do computador. É uma taxa razoável para a maioria dos serviços que usamos em nosso dia a dia. Mas, na prática, não é o serviço que a operadora de telefonia entrega. Os contratos trazem uma cláusula segundo a qual a velocidade oferecida pode ser até 10% da contratada.
Para complicar, é difícil para o usuário calcular a velocidade real de sua rede. “Se tivéssemos uma regulamentação que exigisse um nível mínimo de qualidade, esse cenário seria diferente”, afirma Luis Minoru Shibata, diretor da consultoria Promon Logicalis. No ano passado, o Ministério Público (MP) enviou um ofício à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedindo esclarecimentos sobre a fiscalização da banda larga no Brasil. Num deles, o MP pedia uma definição para qual velocidade seria considerada mínima para alguém vender um pacote de banda larga. Hoje, qualquer serviço que não seja de conexão discada pode levar esse nome.
No início do mês, o governo anunciou os detalhes de um programa ambicioso para levar uma espécie de banda larga popular à maioria da população. O objetivo do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) é massificar a internet até 2014, quando o Brasil sediará a Copa do Mundo de futebol. Até lá, 70% dos municípios brasileiros deverão ter acesso rápido, com 1 megabit por segundo por R$ 35 ao mês. Dá para baixar uma música em 40 segundos. As operadoras fixas Oi, Telefônica, CTBC e Sercomtel foram as primeiras a aderir ao PNBL. Do lado das móveis, a TIM anunciou que levará banda larga 3G para até 1.000 municípios até o final de 2012. A gestão do programa está a cargo da Telebras, estatal de telecomunicações. Pelo acordo, nos lugares onde as operadoras não tiverem interesse em oferecer uma conexão, elas deverão alugar a capacidade de suas centrais para terceiros, sem lucrar com isso.
Para funcionar, o PNBL precisará resolver os entraves da rede brasileira. Se conseguir, além de levar internet para quem não podia pagar, também poderá aumentar a qualidade dos planos que usamos hoje. O primeiro impacto seria no preço. O valor médio de uma mensalidade de banda larga no Brasil, de US$ 28, não é tão acima da praticada no mundo. Aparecemos em 97º num ranking de 167 países publicado pela União Internacional das Telecomunicações. Os mesmos US$ 28 são pagos em Portugal. Nos Estados Unidos, o valor é de US$ 19. A diferença é que a velocidade média da conexão nos outros países é maior. Quando se considera o preço por megabit por segundo (Mbps), nossa banda larga é uma das mais caras, principalmente fora do Sudeste. Em Manaus, pagam-se hoje R$ 130 por uma conexão com a mesma velocidade que o PNBL oferecerá por R$ 35, segundo revista ÉPOCA
 
 

O custo da internet no Brasil


O custo da internet no Brasil
O custo da internet no Brasil, embora venha caindo, ainda é alto e representa o último entrave para a inclusão digital nas camadas mais baixas. A opinião é de especialistas dos setores de telefonia e banda larga que fizeram parte da mesa de debates na maior feira e congresso de TV por assinatura da América Latina, ABTA 2010, realizada de terça até esta quinta-feira no Transamérica Expocenter, em São Paulo.
Segundo o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, mesmo se não houvesse impostos, o pacote básico de internet de banda larga no País cairia de R$ 29 para R$ 16, o que ainda representa o dobro do valor praticado na Europa. Mesmo considerando que a questão do custo - tanto operacional quanto de manutenção e alcance da internet -, o preço final ainda é o principal entrave para a inclusão digital, disse o presidente. Segundo Santanna, as empresas precisam encontrar políticas para reduzir o valor do serviço.
De acordo com o diretor-executivo de clientes residenciais da Telefônica, Fábio Bruggioni, a banda larga tem 33% de penetração nos domicílios brasileiros. Embora não considere o índice alto, acredita que é um avanço para um País de grande extensão, cuja entrada no mundo virtual é relativamente recente. Também presente à mesa de debates, o responsável pelo Plano de Banda Larga Americano da Federal Communications Commission (FCC), Carlos Kirjner, disse que 70% da população dos EUA tem o serviço, sendo que 95% dos americanos têm, pelo menos, um provedor de internet ao qual eles podem se conectar.
"Temos que lembrar que 20% dos brasileiros vivem com menos de um salário mínimo por mês, então, se quisermos ter inclusão digital, é fundamental que governo e iniciativa privada invistam nas classes C e D", disse o palestrante. Ele atribui o êxito do modelo americano de banda larga, que teve investimento de R$ 15,3 bilhões, à herança do modelo de telefonia, que deu certo nos EUA, e ao foco em adoção de todas as classes sociais, disponibilidade de rede e competição entre as empresas.
            Bruggioni, por sua vez, lembrou que o custo da internet no País vem caindo gradativamente. "Há alguns anos, 1 MB custava R$ 200, hoje, esse mesmo pacote custa R$ 50", afirmou. Segundo ele, nos últimos seis meses, 75% da banda larga no Brasil foi comprada pelas classes C e D. Ele considera como causas o aumento da cobertura, a capacidade das operadoras de conhecer o perfil dos compradores e atender suas necessidades específicas, os incentivos fiscais, as parcerias público privadas (PPPs) e, principalmente, à redução de preço.
Segundo o presidente da Telebrás, a ideia é reduzir o pacote de 256 KB, que hoje custa em média R$ 96, para um terço deste valor e o dobro desta velocidade em todas as cidades brasileiras. Até o final do ano, a previsão é que todos os domicílios de 100 municípios e 15 capitais, além do Distrito Federal, sejam alcançados. Para o presidente, é indispensável o papel da concorrência na expansão: "Onde tem concorrência tem competitividade de preço e, portanto, tem adesão", afirmou.
 
 

Texto de inauguração

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Somos universitárias do curso de pedagogia e esse blog nos ajudará em vários trabalhos...